O mundo não tão encantado das empresas

O mundo não tão encantado das empresas

Será possível existir uma empresa onde não se dá importância ao “diz que disse”? Sem cusquice, sem teorias sobre horas de entrada e de saída, e sem o clássico “não digas a ninguém”.

Uma espécie de “Disney corporativa”, onde toda a gente é transparente, justa, madura e emocionalmente estável, onde os reconhecimentos são justos, e onde ninguém fala de mal de ninguém, porque tudo é dito na cara com elegância e inteligência emocional.

Perdoem-me a frontalidade, mas as empresas são feitas de pessoas, e as pessoas, são…complexas. Têm ego, inseguranças, ambição, frustrações, dias bons e dias péssimos, e, tudo isso, entra, inevitavelmente, pelo escritório adentro. Não é maldade, é sobrevivência social, e quando escala, instala-se o caos. Não quer dizer que o ser humano seja demoníaco, mas imperfeito, defensivo, estratégico e emocional e, quando não há contexto, começa a jogar o seu próprio jogo.

A “rádio alcatifa” é uma funcionalidade humana. Sempre que existe falta de informação, nasce uma interpretação, sempre que existe silêncio nasce uma teoria e sempre que existe desigualdade, nasce comparação e, de repente, começa a divulgação de um documentário que ninguém sabe de onde veio, mas toda a gente conhece. Aqui, meus caros, o problema não é existir, é alimentar.



Não existe a empresa perfeita, mas existem empresas emocionalmente inteligentes. Empresas onde a informação é comunicada com clareza, as decisões explicadas, os líderes encaram conversas difíceis e a coerência é uma realidade em que a rádio perde força e deixa de ser sintonizada.

No fim do dia, sabemos que nunca vamos viver numa “Disney corporativa“, mas também não temos de aceitar um ambiente onde se diz mais pelas costas do que pela frente, se desconfia mais do que se confia e onde se interpreta mais do que se esclarece.

Talvez o objetivo nunca tenha sido criar empresas perfeitas, mas ambientes suficientemente conscientes para lidar com a imperfeição humana. Talvez nunca eliminemos o “diz que disse”, mas podemos, pelo menos, garantir que não é ele a definir a cultura.

Não é o que se ouve nos corredores que define uma empresa; é o que se vive todos os dias. Pelo menos, foi o que eu ouvi dizer…