Talento sem performance não é valor, é promessa.

Talento sem performance não é valor, é promessa.

Há uma obsessão crescente nas empresas: encontrar talento.

O talento é sexy, fica bem no Power Point e brilha no LinkedIn, mas depois, na vida real, nem todo o talento entrega performance, ou pior, nem toda a performance vem do talento.

A crença sempre foi associar, inevitavelmente, talento a resultados. Erro. O talento é potencial, enquanto performance é execução, e entre uma coisa e outra, há um território exigente, onde tudo conta: disciplina, ambiente, liderança ou motivação.

Já todos assistimos àquele perfil brilhante em entrevista, mas que depois não entrega. A pessoa carregada de buzzwords, que na prática não sai do sítio, e de high potencial que vive eternamente em potencial. Surpreendentemente, aparecem também aqueles perfis consistentes, sem grande show off, sem frases inspiradoras, mas que não falham.

Um dos maiores erros das empresas é contratar talento e não criar condições para ele existir. Assim surge a dispersão, a desmotivação, o bloqueio e a irrelevância, causado por um talento sem direção, liderança, autonomia e a dar tudo no sítio errado. Acabamos por confundir falta de performance com falta de talento, quando muitas vezes, é falta de contexto.



Assim sendo, o que muda para quem recruta? Se continuarmos a contratar “apenas talento”, vamos continuar a ter equipas com muito potencial, mas pouca entrega.

Testar execução e não o discurso

menos entrevistas perfeitas, mais simulações reais, case studies e provas práticas;

Avaliar histórico de consistência

quem entrega de forma previsível vale mais do que quem impressiona pontualmente;

Medir capacidade de decisão e priorização

performance não é fazer muito, é fazer o que importa;

Validar motivação real e não ensaiada

distinguir quem quer parecer e quem é verdadeiramente.


E depois de contratar? É preciso não destruir o que se escolheu com liderança que dá contexto, objetivos claros, autonomia com responsabilidade e feedback contínuo. 

Há pessoas muito talentosas que nunca vão performar e há pessoas mais low profile que constroem resultados extraordinários e, a grande diferença, está no comportamento, não no talento.

No fim do dia, o talento impressiona, mas é a performance que constrói.