Não há talento ou não há condições atrativas?

Não há talento ou não há condições atrativas?

Ouvimos constantemente que “há falta de mão de obra”, “há escassez de talento”, “há falta de pessoas” ou “não há quem queira trabalhar”. 

Numa entrevista recente, um candidato partilhou connosco algo que resume bem o nosso mercado de trabalho atual: “Recebi três propostas e o problema não é escolher para que empresa vou. O problema é que nenhuma oferece nada diferenciador”.

O talento não desapareceu, ele evoluiu, tornando-se mais consciente, exigente e, sobretudo, mais seletivo. Não há falta de profissionais qualificados, mas há falta de disponibilidade para aceitar contextos que não acompanham a evolução do mercado, dos tempos e da mentalidade.

Mas o que significa isso?

Durante anos, um salário competitivo era suficiente para garantir a atração e a retenção, no entanto, nos dias de hoje, o que se procura é equilíbrio, propósito, liderança saudável, crescimento real e flexibilidade. Procuram-se contextos onde os profissionais se podem desenvolver sem sacrificar a sua saúde mental, a sua vida pessoal e onde possam ser escutados com transparência e clareza.

Quando estas condições não se reúnem…abandonam o barco.



O mercado tornou-se bidirecional, ou seja, as empresas escolhem, mas os profissionais também. A atratividade não se constrói com salas de gritos, mesas de matraquilhos ou cestos de fruta no escritório, mas sim com cultura, liderança consistente, reconhecimento genuíno e com uma proposta clara de crescimento. No fundo, com coerência entre discurso e prática.

Quando uma empresa investe em condições reais, o talento responde. O Talento não procura apenas condições financeiras, mas procura o lado humano, contexto, espaço para crescer e significado.

Muito provavelmente não estamos apenas perante uma crise de talento, o que até pode ser uma boa notícia, mas sim perante um mundo laboral cada vez mais uniforme em que as propostas de valor das empresas são um mero “copy – paste”. 

O verdadeiro fator de diferenciação raramente está nos benefícios. Está nas pessoas que lideram e, por isso, é importante mostrar quem são elas, como pensam e como tomam decisões. Para além da liderança, é importante haver coerência entre o que se comunica e o que se pratica. As empresas que se destacam são as que dão autonomia real, reconhecem o trabalho de forma consistente e criam ambientes onde o feedback é natural. Por fim, é importante comunicar também que tipo de competências é que o talento que se candidata pode desenvolver e como pode evoluir dentro da organização. Empresas que tornam o crescimento visível, estruturado e acessível, sem dúvida, ganham vantagem.

O Talento não desapareceu, apenas deixou de aceitar propostas indistinguíveis.