O setor que não pára, mas luta para recrutar

Depois de anos marcados por incerteza e prudência, o setor da construção voltou a acelerar. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, a produção na construção continuou a crescer em 2025, com um aumento global de cerca de 2,2%.

Todos os dias, novas obras, novos projetos multiplicam-se. Reabilitação, infraestruturas, habitação, investimento público e privado. O ritmo é visível e impossível de ignorar, no entanto, há algo que não cresce ao mesmo ritmo: as pessoas.

Nunca se construiu tanto, mas ao mesmo tempo, nunca houve tanta dificuldade para construir equipas, pois assistimos a uma disputa entre profissionais, projetos atrasados por falta de mão de obra.

O boom da construção traz entusiasmo, mas também expõe fragilidades há muito acumuladas. Assistimos a uma transição geracional, os perfis técnicos são cada vez mais escassos, as novas gerações revelam menor adesão, há desalinhamento salarial e ainda um estereótipo que continua a influenciar a perceção do setor que, durante demasiado tempo, foi associado à exigência, dureza e menor atratividade no imaginário aspiracional das carreiras.

Os projetos podem ser aprovados, os investimentos assegurados, mas as competências não se constroem à velocidade da procura. Na verdade, o risco não é o boom, mas a ilusão de que ele é automaticamente sustentável. Crescimento sob pressão constante, quando combinado com escassez prolongada de talento e competição agressiva por recursos humanos, cria inevitavelmente derrocadas: aumento de custos, atrasos, desgaste organizacional, instabilidade e decisões reativas.

Como sustentar este crescimento? Reposicionando a imagem da construção, atraindo novas gerações, valorizando competências técnicas e criando percursos de progressão claros.

Este boom não se traduz apenas em mais tijolos, andaimes e betão.



A construção tornou-se, silenciosamente, um verdadeiro ponto de encontro entre múltiplas especializações: engenharia, arquitetura, sustentabilidade e tecnologia. Especialistas em IoT, automação, sistemas inteligentes, eficiência energética e digitalização passaram a ocupar um papel estrutural no setor. Sensores, monitorização remota, edifícios inteligentes, manutenção preditiva ou gestão de energia em tempo real começam a fazer parte dos básicos, mas a questão mantem-se: onde estão os profissionais (tradicionais ou não) que querem erguer o seu futuro na construção?