Há uma obsessão crescente nas empresas: encontrar talento.
O talento é sexy, fica bem no Power Point e brilha no LinkedIn, mas depois, na vida real, nem todo o talento entrega performance, ou pior, nem toda a performance vem do talento.
A crença sempre foi associar, inevitavelmente, talento a resultados. Erro. O talento é potencial, enquanto performance é execução, e entre uma coisa e outra, há um território exigente, onde tudo conta: disciplina, ambiente, liderança ou motivação.
Já todos assistimos àquele perfil brilhante em entrevista, mas que depois não entrega. A pessoa carregada de buzzwords, que na prática não sai do sítio, e de high potencial que vive eternamente em potencial. Surpreendentemente, aparecem também aqueles perfis consistentes, sem grande show off, sem frases inspiradoras, mas que não falham.
Um dos maiores erros das empresas é contratar talento e não criar condições para ele existir. Assim surge a dispersão, a desmotivação, o bloqueio e a irrelevância, causado por um talento sem direção, liderança, autonomia e a dar tudo no sítio errado. Acabamos por confundir falta de performance com falta de talento, quando muitas vezes, é falta de contexto.

“A performance vive em coisas menos visíveis. Vive na consistência, no foco, responsabilidade, saber priorizar e, não menos importante, saber dizer “não”. Nada disto aparece num CV bonito, mas é isto que faz as empresas avançarem.“
Lia Brum – Senior Talent Advisor
Assim sendo, o que muda para quem recruta? Se continuarmos a contratar “apenas talento”, vamos continuar a ter equipas com muito potencial, mas pouca entrega.
Os 5 ajustes que podem mudar o jogo
Testar execução e não o discurso
menos entrevistas perfeitas, mais simulações reais, case studies e provas práticas;
Recrutar para o contexto real e não para o ideal
o perfil pode ser excelente, mas falhar redondamente no nosso ambiente;
Avaliar histórico de consistência
quem entrega de forma previsível vale mais do que quem impressiona pontualmente;
Medir capacidade de decisão e priorização
performance não é fazer muito, é fazer o que importa;
Validar motivação real e não ensaiada
distinguir quem quer parecer e quem é verdadeiramente.
E depois de contratar? É preciso não destruir o que se escolheu com liderança que dá contexto, objetivos claros, autonomia com responsabilidade e feedback contínuo.
Há pessoas muito talentosas que nunca vão performar e há pessoas mais low profile que constroem resultados extraordinários e, a grande diferença, está no comportamento, não no talento.
No fim do dia, o talento impressiona, mas é a performance que constrói.